sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Projeto Diálogos Necessários discute Intolerância e Preconceito

O terceiro encontro deste ano do projeto Diálogos Necessários, realizado pela Faculdade CEUT, através da coordenação do curso de Comunicação Social, debateu o assunto Intolerância e Preconceito. O tema foi apresentado pelo jornalista e escritor, Irineu Ramos Ribeiro.

O jornalista falou sobre a cobertura dada pela TV à questão da homossexualidade, e como as emissoras ainda se pautam pelo preconceito e pela falta de informação. Segundo Irineu Ramos, é preciso uma melhor qualificação do jornalista. “O jornalista precisa saber a diferença entre sexo e gênero. Como as pessoas querem se ver perante a sociedade, se como homens ou mulheres. A parada gay, por exemplo, é considerada um assunto sem importância pelos meios de comunicação. Não há políticas públicas direcionadas aos homossexuais. Houve uma redução no número e na qualidade do coquetel anti-Aids, as campanhas pelo uso de preservativo foram reduzidas e há um crescimento no número de soropositivos. Estas informações não estão sendo divulgadas pela imprensa”, O jornalista, ainda, fez o lançamento do seu livro intitulado “A TV no Armário”.

O evento contou também, com a posse e apresentação da nova diretoria da Agência de Comunicação Júnior do CEUT – AGECOM e da INOVE – Agência Júnior do CEUT, além da homenagem à professora doutora Jacqueline Dourado, idealizadora do projeto Diálogos Necessários.

O projeto Diálogos Necessários objetiva o debate de temas relevantes à ampliação dos campos de estudos associados à comunicação, ampliando os horizontes da esfera acadêmica e despertando a pesquisa científica para estudos mais aprofundados.


Fonte: 45 Graus

Fidel assume culpa pela onda homofóbica em Cuba há 50 anos

HAVANA (Reuters) - O ex-presidente cubano Fidel Castro assumiu a culpa pela onda homofóbica empreendida por seu governo há quase cinco décadas, quando marginalizou os homossexuais e os enviou a campos de trabalho agrícolas forçados, acusando-os de serem "contrarrevolucionários", disse ele ao jornal mexicano La Jornada. 
Fidel afirmou na segunda parte de uma entrevista publicada nesta terça-feira que é o principal responsável pela perseguição aos homossexuais na ilha há 50 anos e lamentou não ter corrigido essa falha por estar envolvido na defesa do país.
"Sim, foram momentos de grande injustiça, uma grande injustiça! Fomos nós que fizemos, fomos nós... Estou tentando diminuir minha responsabilidade em tudo isso, porque, pessoalmente, eu não tenho esse tipo de preconceito", acrescentou.
"Escapar da CIA, que comprava tantos traidores, às vezes entre pessoas próximas, não era coisa fácil. Mas, no fim, de todas as formas, se tem que assumir a responsabilidade, assumo a minha. Não vou jogar a culpa nos outros", afirmou.
Fidel, que acaba de completar 84 anos, reapareceu em público no começo de julho, após quatro anos de reclusão recuperando-se de uma doença.
Na segunda-feira, ele tinha dito, na primeira parte da entrevista ao La Jornada, que chegou a perder a vontade de viver, mas que hoje se sente ressuscitado e com muito por fazer.
O líder cubano nunca revelou qual foi a doença intestinal que o obrigou a transferir o poder a seu irmão Raúl em 31 de julho de 2006 e que classificou, no passado, como um segredo de Estado.
"Pense você em como eram os nossos dias nos primeiros meses da revolução: a guerra com os ianques, a questão das armas e, quase simultaneamente a eles, os planos de atentado contra minha pessoa", afirmou. Mas ele reiterou: "Se alguém é responsável, sou eu", disse, sobre o preconceito aos homossexuais.
Desde a década de 1990, o homossexualismo vem sendo mais tolerado na ilha, inclusive por militantes do Partido Comunista, ainda que os homossexuais não tenham parado completamente de receber o assédio da polícia.
A psicóloga cubana Mariela Castro Espín, filha do presidente Raúl Castro, converteu-se em uma defensora das minorias sexuais, promovendo, nos últimos anos, cirurgias de mudança de sexo e o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo.
"Estou preparando uma carta para a direção do PCC (Partido Comunista de Cuba), onde estou solicitando que essas pessoas (homossexuais) não sejam discriminadas pela sua orientação sexual ou orientação de gênero", afirmou Mariela em declarações à imprensa nos últimos meses.

Fonte: O Globo
(Reportagem de Nelson Acosta)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Pastor detido por racismo diz que foi discriminado

O pastor evangélico Petrônio Alves Silva, que é negro e foi acusado de racismo por uma atendente da TAM Linhas Aéreas, na manhã de hoje (29), no Aeroporto Júlio Cezar, em Belém, afirma que teria sido vítima de discriminação por parte da funcionária. O crime de racismo ou discriminação é inafiançavel e pode render uma pena de até 5 anos de cadeia.
Blenda Ribeiro prestou depoimento à delegada Ana Guedes, que conduziu o caso na delegacia do aeroporto. Em seu depoimento, ela relatou que realizava o checking de Petrônio Silva para o voo das 6h que faz a rota Belém-Brasília.  Logo no início do atendimento, o pastor teria ficado visivelmente aborrecido, pois o documento que apresentou não era válido como identificação e deveria apresentar outro.
Quando a funcionária pesou a mala de Silva e constatou que o peso máximo permitido fora excedido e comunicou ao pastor que ele deveria pagar pelo excesso, Petrônio Silva se aborreceu mais ainda e teria chamado-a de “neguinha folgada”.
Blenda se sentiu constrangida e comunicou o fato à Polícia Federal, que deu voz de prisão ao pastor. Ele chegou a pedir desculpas à moça, mas ela não aceitou e decidiu realizar todo o procedimento previsto em lei.
ARREPENDIDO

À reportagem do DIÁRIO, Petrônio afirmou que estava arrependido de seu comportamento. Segundo ele,  também teria havido discriminação por parte da moça, que estava atendendo-o de 'mal gosto'. “Ela sequer me deu bom dia”, reclamou.  Ele nega, no entanto, que tenha ofendido Blenda, e afirma que testemunhas podem provar isso.
Um funcionário da companhia testemunhou a favor de Blenda. Dois passageiros que faziam checking para o mesmo voo do pastor também confirmaram a versão da atendente, mas deixaram apenas seus contatos e não puderam testemunhar porque embarcaram no avião.
Petrônio Alves Silva foi autuado por crime de racismo e pode pegar de um a dois anos de prisão. Ele foi encaminhado ao Centro de Perícia Científicas "Renato Chaves" para fazer a exane de corpo de delito e depois seguirá para um presídio com cela especial, pois possui nível superior completo.
A LEI
A Constituição de 1988, em seu art. 5º (inc. XLII), passou a considerar a prática do racismo como crime inafiançável e imprescritível. Com alterações feitas em 1989 e 1995, a lei atual pune com penas de dois a até cinco anos de reclusão, além das multas, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, de cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Nayara Ferraz, Diário Online

MC Leonardo, da Apafunk, comemora primeiro baile em favela pacificada

Quem frequenta bailes funks ou acompanha a luta dos músicos contra o preconceito conhece o MC Leonardo. Presidente da Associação de Amigos e Profissionais do Funk, ele batalha há anos para que o ritmo seja disassociado da violência.
Com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), os bailes foram proibidos. As exigências feitas pela Secretaria estadual de Segurança para autorizar eventos públicos também passaram a ser cobradas nas favelas.
- O jovem precisa ter uma opção de diversão barata, perto de onde ele mora. O baile do Tabajaras será o modelo, mas, por enquanto, queremos que aqui seja um modelo de sucesso. Só depois vamos pensar em outras.


Power Ranger azul sofreu preconceito na série por ser gay


O ator David Yost, conhecido por interpretar o Power Ranger azul na série de TV, assumiu sua homossexualidade durante uma entrevista num evento na Flórida, o Anime Festival Orlando, que reúne, anualmente, fãs e admiradores da cultura japonesa. Ele aproveitou para explicar porque abandonou a série de forma precoce.
Na série, o ator interpretou Billy Cranston, o Power Ranger azul, entre 1993 e 1996, além de repetir o papel em um filme de 1995. Ele saiu da série no final da 4ª temporada, após ver seu papel ser bastante reduzido, assim como seu salário.
Segundo Yost, ele decidiu sair do seriado por conta própria, já que era alvo de piada por boa parte dos produtores. “Eu era chamado de ‘bicha’ muitas vezes pelos criadores, produtores, roteiristas e diretores”, afirma. “Por isso resolvi sair”.
O ator ficou deprimido após sofrer humilhações por parte da própria produção de “Power Rangers” e até cogitou a possibilidade de se suicidar. Na época em que deixou a atração, o programa estava no auge, com possibilidades de ir para os cinemas e contratos assinados para futuras temporadas. Mesmo assim, ele preferiu sair, pensando em sua vida.
Após deixar “Power Rangers”, Yost praticamente não trabalhou mais na indústria do entretenimento. Neste ano, ele deve fazer o seu retorno no filme “Degenerate”.

INDONÉSIA: CRISTÃOS, BUDISTAS E MUÇULMANOS EXIGEM TOLERÂNCIA

Jacarta, 27 ago (RV) – Líderes cristãos, budistas e muçulmanos encontraram-se com extremistas islâmicos, para restaurar a tolerância e a liberdade de culto na Indonésia.

Ativistas do diálogo inter-religioso organizaram um encontro, nesta quinta-feira, em Jacarta, entre o ex-chefe da Nahdlatul Ulama (NU) a maior organização muçulmana moderada no país, Kiai Hajj Hasyim Muzadi, e o líder do Islamic Defender Front (FDI), um grupo extremista islâmico, Habib Rizieq.

Nos últimos dois meses, aumentaram, consideravelmente, os episódios de intolerância religiosa na Indonésia, sobretudo, em Bekasi e Bogor, onde duas comunidades cristãs foram atacadas mais de uma vez, e as funções religiosas foram interrompidas por multidões de radicais muçulmanos.

Também os bispos católicos pedem a restauração do clima de liberdade religiosa. De fato, numa carta endereçada ao Presidente Susilo Bambang Yudhoyono, os prelados pedem que ele demonstre coragem e imponha que se respeite a liberdade de culto.

No encontro desta quinta-feira, Muzadi disse a Rizieq: "Todos nós, indonésios, devemos restabelecer o espírito de tolerância, para consolidar o pluralismo neste país. O espírito de tolerância não deveria ser destruído por ninguém!"

Habib Rizieq – o líder radical muçulmano – rejeitou, todavia, as acusações de intolerância, afirmando que o Islamic Defender Front não quer impedir os cristãos de professarem a própria fé. "O que aconteceu em Bekasi, com os fiéis das comunidades cristãs, nada tem a ver com a profissão de fé, mas sim com problemas legais, pois lhes falta a permissão para construir suas igrejas" – disse Rizieq. 


Fonte: Rádio Vaticano

Estado de São Paulo é condenado por racismo institucional

S. Paulo - O Estado de S. Paulo acaba de ser condenado pela Justiça pela prática do crime de racismo cometido por uma professora da rede pública da Escola Estadual Francisco de Assis, no Ipiranga. Em sentença do dia 10 deste mês, só agora tornada pública, a 5ª Vara da Fazenda Pública considerou que a professora utilizou texto de conteúdo racista em sala de aula e condenou o Estado ao pagamento de R$ 20,4 mil por danos morais à família do estudante.


Sem qualquer razão, uma vez que o processo não tramita em segredo de Justiça, o nome da professora é mantido sob sigilo, o que só tem ocorrido em casos de crimes de racismo. A Afropress ligou para a direção da Escola pedindo informações sobre a identidade da agressora, porém, a diretora e professores que atenderam – de nomes Sônia e Vera – disseram não ter autorização para revelar a identidade, embora lembrassem do caso. “O senhor tem de falar com a Coordenodoria de Ensino”, informaram.

A Afropress também ligou para a Secretaria de Educação e para a professora Roseli de Oliveira, Coordenadora de Políticas para as Populações Negra e Indígena da Secretaria da Justiça, que recomendou fosse encaminhada solicitação por escrito. Até a postagem dessa edição, não tinham sido respondidas as duas perguntas encaminhadas: 1 – nome da professora, uma vez que o processo que tramita na 5ª Vara da Fazenda Pública não tramita em segredo de Justiça: 2 – quais as medidas que o Estado vai tomar, por meio da Procuradoria Geral do Estado, e se entre elas está a ação para que o custo da condenação não seja pago pelos contribuintes.

A sentença é do dia 10 deste mês e a Procuradoria Geral do Estado ainda não decidiu se vai recorrer, ainda que, por imposição legal, o Procurador do Estado é obrigado a recorrer em casos de condenação do Estado. Fontes da Procuradoria, contudo, informaram que, extraordinariamente, o procurador Marcos Fábio de Oliveira Nusdeo (foto) pode pedir ao procurador geral do Estado que poderia decidir pela dispensa do recurso.

Pedagogia racista

O caso aconteceu em 2002, quando a professora passou uma atividade baseada no texto “Uma família Colorida”, escrito por uma ex-aluna do Colégio. Na redação cada personagem era representado por uma cor. O homem mau da história, que tentativa roubar as crianças da família, era negro.

Por causa disso, o garoto, que na época tinha sete anos, passou a apresentar problemas de relacionamento e queda na produtividade escolar. O menino, hoje com 15 anos, acabou sendo transferido de escola. Laudos juntados ao processo apontam que ele desenvolveu um quadro de fobia em relação ao ambiente escolar.

Caso Simone Diniz
Em 2007, em decisão inédita a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, condenou o Brasil, em caso similar de racismo institucional também praticado pelo Estado de S. Paulo, ao recusar-se a apurar o caso de racismo contra a doméstica Simone Diniz. Por conta da condenação, o Estado – por meio de projeto enviado pelo então governador José Serra, e aprovado pela Assembléia Legislativa – pagou R$ 36 mil à título de indenização.


Defesa
Na defesa, a Secretaria da Educação, alegou que não houve má fé ou dolo na ação da professora, porém, o juiz entendeu que o caso configurou uma situação de racismo. “A atividade aplicada não guarda compatibilidade com o princípio constitucional de repúdio ao racismo’, afirma a sentença.

O valor da condenação corresponde a 20 salários mínimos para o aluno e 10 salários mínimos para cada um dos pais. O pedido de danos materiais foi negado por falta de comprovação. A solicitação de recolhimento do livro que continha o texto foi desconsiderada, pois a rede não usa o material. 

Segundo pesquisa da UNESCO o racismo afeta o desempenho escolar de negros no Brasil. A média dos brancos no 3.º ano do ensino médio é 22,4 pontos mais alta que dos negros (na escala de 100 a 500 do Saeb). Mesmo quando se leva em consideração a classe social, as diferenças se mantêm. Na classe A, 10,3% dos brancos tiveram avaliação crítica e muito crítica no Saeb. Entre os negros, foram 23,4%.


Fonte:ACCA